
Craques da seleção de 1950 fazem jogo exibição em Delhi
Ainda na primeira metade do século 20, antes mesmo de Pelé e Mané, a Índia se rendeu ao talento do futebol brasileiro. Brilhantes cientistas que são, vieram pesquisar o segredo da técnica e da malemolência que faziam dos brasileiros tão habilidosos na arte do esporte bretão – diferentemente dos próprios bretões, colonizadores e introdutores do futebol na Índia, que tinham o estilo “botinudo” e usavam a nada plástica estratégia do “chutão e correria”.
Após observações em diversos campos do país, os indianos chegaram a um consenso: o segredo do talento brasileiro estava nos moleques, que enfrentavam os diferentes pisos da prática futebolística (grama, terra, barro, concreto, asfalto e qualquer outra superfície semi plana) completamente descalços.
Os indianos chegaram à conclusão que, ao sentir o contato direto da pele com o capotão, o cérebro do garoto conseguia registrar nuances como local certo de bater na bola ou o movimento exato para mantê-la grudada no pé enquanto trocava a direção da corrida.
A palestra apresentada convenceu os “turbantes” (nome dado aos cartolas da Federação Indiana de Futebol) e, naquele dia, o futebol na terra de Gandhi passou a ser praticado por atletas descalços.
Em um ano os indianos se tornaram a melhor seleção da Ásia. Não que o continente fosse um grande parâmetro. Mas ainda assim, os “Vacas Bravas” – uma alusão ao animal sagrado do país– passaram a golear os rivais. Em 8 de maio de 1947, o time deu uma baile no Paquistão. Os dribles foram encarados como deboche, causando pancadaria no final do jogo. O líder espiritual Mahatma Gandhi repudiou totalmente o confronto, embora testemunhas afirmem terem visto-o mostrar o dedo do meio para a torcida adversária.
A classificação para a Copa de 1950, no Brasil, apesar de tranqüila, foi comemorada com grande festa e muita dança, especialmente em Delhi. A empolgação dos indianos era enorme. Tão enorme que despertou a atenção de uma empresa de materiais esportivos.
“Eles não usam chuteiras na índia. Ainda! Vamos direcionar nossa produção toda para lá e fazer marketing com a seleção.”
Não demorou muito e um lote do modelo de couro de cavalo – de boi jamais seria aceita no país – foi entregue para a Federação Indiana de Futebol, a Fifu, junto com uma generosa quantia de libras esterlinas. A felicidade dos “turbantes” era latente, porém, não compartilhada com os atletas.
“Preferimos jogar descalços”, disse o capitão do time, Apu Suresh.
Os atletas não foram ouvidos e o uso da chuteira foi imposto. Eles desfilaram com as chuteiras e apareceram em anúncios que diziam: “A Índia tem futebol de primeiro mundo”. O sucesso comercial foi enorme. Mais de 300 milhões de pares foram vendidos em poucos meses.
E Índia veio para o Brasil. Estava no Grupo 3, contra Suécia, Itália e Paraguai. A história vocês conhecem: Derrota para o Paraguai, no Durival de Brito, em Curitiba, por 1 a 0, com o emblemático gol saindo no primeiro minuto de jogo: um passe fraco dado pelo zagueiro Odara Petlohn, que encontrou o avante paraguaio no meio do caminho. No Pacaembu, três dias depois, goleada imposta pela Itália: 6 a 0, com o indianos errando todos os cruzamentos. De volta a Curitiba, precisavam de um milagre: golear a Suécia e torcer por uma goleada paraguaia sobre a Itália.
Triste fim indiano ao perder por 3 a 0 da Suécia, com o terceiro gol saindo após um tiro de meta terrivelmente cobrado pelo goleiro Kabir Kamadewa.
A revolta da população – e dos patrocinadores, que cortaram toda a verba de publicidade – vez o futebol morrer na Índia.
Após observações em diversos campos do país, os indianos chegaram a um consenso: o segredo do talento brasileiro estava nos moleques, que enfrentavam os diferentes pisos da prática futebolística (grama, terra, barro, concreto, asfalto e qualquer outra superfície semi plana) completamente descalços.
Os indianos chegaram à conclusão que, ao sentir o contato direto da pele com o capotão, o cérebro do garoto conseguia registrar nuances como local certo de bater na bola ou o movimento exato para mantê-la grudada no pé enquanto trocava a direção da corrida.
A palestra apresentada convenceu os “turbantes” (nome dado aos cartolas da Federação Indiana de Futebol) e, naquele dia, o futebol na terra de Gandhi passou a ser praticado por atletas descalços.
Em um ano os indianos se tornaram a melhor seleção da Ásia. Não que o continente fosse um grande parâmetro. Mas ainda assim, os “Vacas Bravas” – uma alusão ao animal sagrado do país– passaram a golear os rivais. Em 8 de maio de 1947, o time deu uma baile no Paquistão. Os dribles foram encarados como deboche, causando pancadaria no final do jogo. O líder espiritual Mahatma Gandhi repudiou totalmente o confronto, embora testemunhas afirmem terem visto-o mostrar o dedo do meio para a torcida adversária.
A classificação para a Copa de 1950, no Brasil, apesar de tranqüila, foi comemorada com grande festa e muita dança, especialmente em Delhi. A empolgação dos indianos era enorme. Tão enorme que despertou a atenção de uma empresa de materiais esportivos.
“Eles não usam chuteiras na índia. Ainda! Vamos direcionar nossa produção toda para lá e fazer marketing com a seleção.”
Não demorou muito e um lote do modelo de couro de cavalo – de boi jamais seria aceita no país – foi entregue para a Federação Indiana de Futebol, a Fifu, junto com uma generosa quantia de libras esterlinas. A felicidade dos “turbantes” era latente, porém, não compartilhada com os atletas.
“Preferimos jogar descalços”, disse o capitão do time, Apu Suresh.
Os atletas não foram ouvidos e o uso da chuteira foi imposto. Eles desfilaram com as chuteiras e apareceram em anúncios que diziam: “A Índia tem futebol de primeiro mundo”. O sucesso comercial foi enorme. Mais de 300 milhões de pares foram vendidos em poucos meses.
E Índia veio para o Brasil. Estava no Grupo 3, contra Suécia, Itália e Paraguai. A história vocês conhecem: Derrota para o Paraguai, no Durival de Brito, em Curitiba, por 1 a 0, com o emblemático gol saindo no primeiro minuto de jogo: um passe fraco dado pelo zagueiro Odara Petlohn, que encontrou o avante paraguaio no meio do caminho. No Pacaembu, três dias depois, goleada imposta pela Itália: 6 a 0, com o indianos errando todos os cruzamentos. De volta a Curitiba, precisavam de um milagre: golear a Suécia e torcer por uma goleada paraguaia sobre a Itália.
Triste fim indiano ao perder por 3 a 0 da Suécia, com o terceiro gol saindo após um tiro de meta terrivelmente cobrado pelo goleiro Kabir Kamadewa.
A revolta da população – e dos patrocinadores, que cortaram toda a verba de publicidade – vez o futebol morrer na Índia.

